Jardim dos Sonhos
“Mas até no sonho há uma essência que é real. É preciso haver uma consciência para que o sonho aconteça. Do contrário, não haveria sonho...” - Eckhart Tolle
Por vezes, eu acordava assustada à noite em meio a um jardim. Flores se espalhavam por todos os lados numa atmosfera que formava espirais de cores roxa e azul. Eu mal podia abrir os olhos. Borboletas se aproximavam de mim, anunciando a transformação que estaria por vir. Fazia parte daquilo aceitar o inaceitável, eu já sabia. Sonhar o sonho dentro dele mesmo. E estar desperto quando tudo acabasse.
Apesar de tudo, era uma paisagem bonita, flores em tons de roxo por todos os lados, lírios, narcisos, margaridas e borboletas esvoaçando em torno de mim me mostrando o que deveria ser um caminho. Era uma paisagem bela, e eu gostaria de jamais parar de sonhar. Ainda assim, lágrimas caíram pelo meu rosto por todos os sonhos não realizados. Vozes ecoaram pelo jardim me dizendo que para viver é necessário estar aberto à morte. Sonhos vão morrer. É preciso se abrir para o inesperado, e aceitar fazer parte da linha que tece nosso destino em tramas invisíveis.
Fui pensando assim, tomada por devaneios, quando uma borboleta pousou em meu ombro, enquanto eu desejava nunca mais sair daquele jardim.