Pétala Vermelha
Guilherme está perdido num caminho por aí...
Deixei meu fuzil de lado. Olhei para cada uma daquelas rosas jogadas ali no chão. Rosas de um vermelho muito escuro, manchadas, pisoteadas por soldados fugindo do próprio desespero. Nada daquilo parecia real. O estouro dos canhões, e o disparo das balas me deixaram confuso, e eu não sabia para onde estava indo, ou o que era realidade e o que era fantasia.
Na dúvida, eu comecei a seguir o rastro das pétalas de rosas pelo chão. Imagens surgiam na minha mente, e eu me lembrava das mãos de Dona Mabelle, as mãos delicadas colocando as flores nos vasos de cristais na sala de estar. Me lembrava vagamente de seu rosto translúcido vagando pela casa, como um rastro de fumaça. Lembranças tão vagas, perdidas no tempo, e que pareciam ter acontecido há tanto tempo.
Àquela altura, sei lá onde tinha deixado minhas coisas, eu só olhava pra baixo, seguindo o rastro de cada uma daquelas pétalas que ficavam cada vez mais vermelhas conforme eu avançava pelo caminho. No fundo, eu sentia saudades dela. No fundo, eu esperava que aquelas pétalas me levassem até ela, até aquela casa de campo, na beira de uma estrada qualquer, perdida e abandonada no tempo-espaço.