Terror da Criatura
Depois de tanto longe
Veio ela e me acordou
Resolveu fazer do tempo perdido
Uma balsa de reconciliações
E já não se via,
Que o frio além fora fazia
E que a paz
Era, por si só, muito querida?
Mas pútrida criatura que tu és
Arrancaste-me a pele
Ao som de finos talheres
Me negaste o amor aconchegante
Só para fazer-me o fim
E a vida doutro amante
Posto, agora, que me arrasto
Em cima de frígidos ossos
E ainda sinto o cheiro acre
Das perfídias dum tempo já passado
Só rogo
Que bendito santo te afaste
Para a erma terra de sepultura fria
Pois minhas lembranças morrem junto
Com minha esperança num mundo em cores claras
E júbilo só...
Intervalos Memoráveis - Livro 1