Meia Prosa sobre um Desastre
Como num dia qualquer
A noite já ia alta... e profunda
O tempo passava muito rápido
Ou será que ia muito depressa?
Meus olhos, num instante, se anuviaram
Então fechados (ou abertos?)
Não sei de que lado estava
Não sei para que lado ia
Do lado direito ou do lado esquerdo
Nada percebia
E como no prenúncio do fim
Crescia o inesperado círculo luzidio
A lua reluzia... poderosa e forte
Ou seriam meus olhos que já perdiam o brilho?
E a luz brilhava...
E aumentava...
E diminuía...
E aumentava...
Pois que num mais que de repente
Tudo se desfazia em mil estilhaços
Explodia... tudo...
E a capota se espatifava...
Sem gritos... só um estertor... e então...
Perdia o completo senso
Perdia o começo
E o fim se misturava ao meio...
Neste momento
Pois que já não me lembro
No mais íntimo dos meus pensamentos
O que é que eu fazia mesmo?
Por um segundo esquecia onde estava
De repente não via mais as estrelas
Só o breu frente à face
Acho que Deus resolveu ficar um tempo a menos
Que eu não rezasse mais
Dizia... adeus... terra querida
Porque dos meus pés já não precisava
Já que então flutuava
Dizia... adeus... terra formosa
E o meu rosto...
Que ninguém o vislumbrasse
Nunca mais.
Intervalos Memoráveis - Livro 1